O manifesto Ágil

Posted in Opniões on July 29th, 2010 by Diego Bitencourt Contezini – 67 Comments

A origem

Quem estudou em uma escola tradicional – seja “boa” ou “ruim” – sabe do tamanho do desgosto que uma criança passa até se formar no colégio.

Exercícios, provas, trabalhos, faltas, notas baixas, recuperação, vestibular - Nooo…..!

O pior é que as “instituições de ensino” querem “ensinar”.. e as crianças – teoricamente – adoram aprender! E surgiu a pergunta: qual o real problema?

A resposta do Mestre

A alguns anos atrás conheci o mestre Zen. Conversamos assim:

- [...] Dieguito, a educação atual é focada em qual nota tiramos, quanto sabemos e quantas aulas fizemos. Quantos trabalhos entregamos, quantas questões acertamos… E isto é o que odiamos. As crianças também.
- Porquê, mestre Zen?
- Meu querido, porque ninguém gosta de ser tratado como idiota bobo. Você estudou, estava lá com o professor por 5 horas/dia, e alguém vem medir depois de 2 meses se você “realmente aprendeu”? A escravidão já acabou – e faz tempo!!! Exatamente 118 anos, para nós.
- Mas, amado mestre, o que faríamos sem provas?
- Os “bons alunos” de hoje ou são apaixonados por provas ou se borram de medo delas. Sem provas, eles aprenderiam com gosto, paixão e amor pelo assunto.

O Mestre chamava isso de educação qualitativa.

Sem provas?

Então que o “Dieguito” aqui parou  e pensou:

- tchêêê, o Mestre Zen é um doido. Sem provas ninguém aprende, nem se desenvolve…. Será?

Uma equipe de psicólogos resolveu fazer uma experiência com crianças para avaliar sua produtividade.

How Rewards can backfire and reduce motivation

- 10 more brilliant social psycology studies.

Resultado: As crianças mais produtivas são as que não sabem que estão sendo medidas.

A pesquisa também diz que a origem da maior produtividade é justamente o foco no que elas gostam. E claro, um estímulo sempre ajuda…

O que isso muda a minha vida?

Esta mudança para o qualitativo já está ocorrendo nas escolas. Quer um exemplo? Escola Lumiar.

Também ocorreu nos sites de busca: menor quantidade de botões, maior qualidade de resposta.

Nas empresas de software, temos muito a evoluir: Ao invés de fazer 1000 testes e expor quem gera menos bugs… porquê não ensinar como realmente se programa?

A excelência do código, da interface, do programa é o sonho de toda criança.. quero dizer, programador…. :) .

Aí chegamos a este humilde manifesto:

“Não queremos mais um relatório para saber se algo está bem feito.

Queremos sim viver a cultura da excelência.

Não queremos medir quantas linhas um programador fez.

Queremos saber o que ele desenvolveu de bom.

Não queremos medir quantos bugs desenvolvemos.

Queremos saber o quanto o programador e os usuários gostam do software produzido.

Não queremos ser a empresa com o maior número de programadores.

Queremos ser a empresa dos melhores programadores.

Não queremos um trabalho escravo.

Queremos desenvolver sob o estado de arte.”

Não é que se parece com o manifesto ágil??

Isso é software, isto é Informant.

A Culpa é sempre do SISTEMA!

Posted in Opniões on July 20th, 2010 by Diego Bitencourt Contezini – 269 Comments

A aproximadamente 1 ano encarei uma missão: Implantar coleta “seletiva” na Informant.

Dificil? Nooo. La garantia soy yo. Tinhamos um lixão preto. Comprei um verde.. coloquei na “sala de descanso” e mandei um lindo email para toda a equipe… dizendo o quanto era importante nosso esforço em salvar as Árvores.

Resultado: …// #UltraFail

Por quê? Bem, talvez seja porque as pessoas aqui ao invés de pensar nas árvores que economizariam… pensam em como melhorar os sistemas dos clientes, como ser mais feliz, se usam Grails ou Rails, enfim. Aquelas coisas que a gente sempre “cobra” deles, faz sentido?

Nós ainda tentamos, enviamos email mais umas 3x (a cada uns 2 meses) pra lembrar da coleta seletiva…. vai que esqueceram?…. R: #TripleFail

Por fim, para a alegria das Árvores.. A Sandra, nosso querido financeiro, estava falando da nossa #MEGAFAILED Coleta Seletiva, pensando em dar um x++ (“inc %eax“) no email Valorizando mais uma vez as belas Árvores, o Ar puro e os Peixinhos asiáticos

Quando derrepente… “Eu tenho uma idéia!!!!!!“.

Hoje existem 2 lixeiros, um verde.. grande e bonito.. e um preto (um pouco menor). Que tal colocarmos um POST grande, sobre cada um deles.. escrito “Orgânicos” e “Reciclagem”?

Lá foi a Sandrinha, feliz alegre e contente, pegou o canetão, as etiquetas.. escreveu e Pimba.

Resultado… // #UltraMegaExtreamAlavancagem

Pela primeira vez, desde a existência do lixeirinho verde… Ele se sentiu RESPEITADO!

A Sandra até recebeu um email, enviado pelo nosso querido presidente – Vinicius – e pra empresa toda – parabenizando a boa alma que colocou a etiqueta lá!

Aí entendi o que queria dizer o sr. Senge com “A estrutura influencia o comportamento.”

“As pessoas, quando colocadas em um mesmo sistema, mesmo com diferentes perfis, tendem a produzir resultados semelhantes…”

Como gestor, ex-programador, ficou apenas uma lição aprendida: A culpa sempre é do SISTEMA. // #Noooooooooooo……

O Poder do Vazio do Tio Lao

Posted in Opniões on June 12th, 2010 by Diego Bitencourt Contezini – 271 Comments
O mais interessante aprendizado que tive, sobre o erro e a perfeição, veio de um dos grandes mestres chinêses.

Mil e quatrocentos anos antes de cristo, o maluco! falava sobre o vazio.
Ele dizia que nós, homens, temos medo do vazio e por isso adoramos tudo muito bem preenchido e bem definido.
O tio Lao dizia mais ou menos assim:

“Trinta raios convergentes unem-se formando uma roda
Mas é o vazio entre os raios que facultam o seu movimento.
Modelai o barro para fazer um jarro.

O oleiro faz um vaso, manipulando a argila.
Mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade.

Recortai no espaço vazio das paredes portas e janelas
a fim de que um quarto possa ser usado.

Paredes são massas com portas e janelas
mas somente os vazios entre as massas
lhes dá utilidade.

Desta forma o ser produz o útil
mas é o não-ser que o torna eficaz.

Nós aprendemos que só erra quem produz e só produz quem não tem medo de errar.

E assim como a água se perderia se não houvessem as paredes no jarro, nós nos perderíamos se nao houvessem as regras, prazos, processos e tudo mais.

Mas temos certeza: nenhuma regra tem o mínimo sentido se não houver muito mais espaço ausente dentro dela. Elas somente modelam o conteúdo, e ele sim é o que interessa.

Vivemos com muita liberdade. Naturalmente, com ela vem os erros e com os erros, a responsabilidade. O que fazemos? elogiamos em alto e bom tom tudo que é bem feito… e trabalhamos arduamente para minimizar os erros.

Assim, Lao Tsé trouxe a nós, O Poder do Vazio.
Valeu, Tio Lao!

(Quer saber um pouco mais sobre o Lao Tsé? Leia o Tao Te King).

Reuniões: O que espero de você?

Posted in Eventos Informant on June 4th, 2010 by Diego Bitencourt Contezini – 137 Comments

Aconteceu a primeira vez no fim de 2008. Eramos em 5 e já começavamos a sentir a dificuldade de nos tornarmos uma equipe. Algumas discussões aqui, dificuldade de relacionamento alí, falta de cooperação acolá. As vezes, um nem sabia em que o outro estava trabalhando, mesmo trabalhando na distancia de 5 passos um do outro…

Na época, o Vinicius fazia o curso do Dale Carnegie de Relações Humanas, e eu ainda era quase um gestor hippie, estudando todas as linhas alternativas de gestão empresarial, inclusive as inexistentes. Ricardo Semler, Louco, já havia nos influenciado pelo livro “Você está louco?” a fazer todo tipo de alucinação que pensássemos ser útil para termos a empresa que sonhávamos…..

Fizemos uma roda, com os cinco, e começou assim:

- Pessoal, este é o primeiro O que espero de você? da Informant. O objetivo desta reunião, que é bimestral, é que todos saibamos como colaborar, e o que os outros esperam de nós. Funcionará assim:

  • Sortearemos um de nós, girando a caneta aqui no meio – a pessoa que ficar na ponta, “ganha”.
  • O ganhador será o primeiro, de todos, a receber elogios. Toda a roda irá elogiar o “sorteado”, e após ele o próximo será o da ordem horária.

O Vinicius foi o primeiro, eu fui o último da roda. Ainda lembro que naquela reunião eu quase chorei. 4 Elogios seguidos, de 4 pessoas diferentes, de uma vez só…. Eu acho que nunca tinha acontecido em minha vida.

Terminada a rodada de elogios… Estavamos tao sorridentes, que nem a morte tiraria o sorriso de um de nós…

- Pessoal, agora seguiremos o mesmo modelo, começando pelo Vinicius, já sorteado para a primeira rodada. Você, Xico (próximo na ordem) irá começar dizendo ao Vinicius o que espera dele no próximo bimestre. Isto pode ser relacionado a qualquer coisa, seja de trabalho, amizade, dificuldades, enfim.

E assim todos dissemos o que esperávamos uns dos outros. Foi um lindo desabafo de amigos…

As vezes passamos 1, ou 2 meses a mais do que a data, e todos começamos a sentir falta. Naturalmente, alguem levanta e diz “Quando será a próxima o que espero de você?”, e agendamos e executamos.

É parte de nossa cultura, está no sangue de todo Informmant. Hoje, nao consigo mais entender como um grupo pode conviver, durante anos, sem um saber o que vê de belo, nem o que espera do outro.

Este é um pedacinho do que vivemos aqui na Informant. Aos poucos… pretendo ir repassando para vocês o que mais fazemos para melhorar o nosso grupo.

Até a próxima, pessoal.